segunda-feira, 3 de março de 2014
A resposta
Como uma mulher tão linda e simpática não tem namorado?
Toda mulher solteira ouve repetidas vezes esta pergunta ao longo da noite em uma festa, em uma saída a um barzinho ou mesmo ao conhecer novas pessoas em redes sociais. A resposta é a clichê de sempre: “Ora, ainda não encontrei a pessoa certa!”. A criadora desta resposta estava coberta de razão e simplificou muito nossa vida ao colocar na resposta um ponto final ao questionamento um tanto pertinente e indesejado. Ora, vamos nos colocar no lugar da entrevistada: quem gostaria de estar sendo questionado sobre o por quê de suas relações não terem vingado como o desejado? É um assunto um tanto complexo para o primeiro contato. Não encontrei a pessoa certa e fim, tudo o que queremos é que esse inconveniente assunto termine para que assuntos mais leves possam fluir, mas a pertinente pergunta vem me assolando em busca de uma resposta menos clichê a tempos.
Acredito que o amor não obedece a razão. Como diz a excelente Martha Medeiros no texto Crônica do Amor “ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta... o verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.” Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor? O amor não segue padrão, lógica ou matemática. Não responde a qualidades com reciprocidade, mas tem no indefinível sua raiz. Não faz jus a títulos, não se define em características. É formada, possui carro próprio, apartamento, saldo na conta bancária, simpatia para dar e vender, beleza e tantos atributos quanto um livro descrevendo a princesa encantada mas não faz seu coração bater mais forte, não instiga seu ciúmes nem o deixa hipnotizado com um sorriso. Simples, não existe conexão. Eis o amor nos mostrando que não se apega a matemática e não será facilmente interpretado.
Confesso que vou continuar respondendo a esta pertinente pergunta com a resposta clichê, não seria louca de sair filosofando em minha primeira conversa sobre o complexo paradoxo que é o amor, mas sigo com a certeza de que respostas desse cunho devem ser dadas com um olhar, sinais de que o questionamento não precisaria ter sido feito e que, mais hora menos hora, o tão sonhado magnetismo se fará presente a ponto de alterar a resposta para um pertinente "ainda não havia lhe conhecido”.
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