O ser humano se difere dos demais seres vivos por ser
"racional". Tão racionais somos que vivemos única e exclusivamente
para raciocinar: a hora de acordar, a roupa à vestir, os compromissos diários,
os afazeres, a hora para a alimentação, a hora para dormir. Tudo tão
milimetricamente planejado ou tão automaticamente realizado que pouco de nossa
energia sobra para a nossa real jornada. Isso mesmo, a real jornada. A missão
de sua vida. O que você quer deixar quando sua energia já não estiver mais
aqui, quando você não estiver mais aqui pra fazer.
Não, não está sobrando tempo. Pra visita que a tanto tempo
prometemos, pra carta ou e-mail que ficamos de escrever, pro "oi, como
você está?". Não está sobrando energia. Ou não estamos escolhendo as
prioridades? A que, realmente, estamos dedicando nosso tempo? A deixar um
legado de ensinamentos e amor ou estamos desperdiçando nosso tempo como um
tronco seco sendo levado pela correnteza de um rio, sem destino?
Não está sobrando tempo pro auto-conhecimento. Qual sua
missão nessa vida? O que te faz feliz? Quantas pessoas você fez feliz hoje,
essa semana, no mês ou no ano? O que você não precisa raciocinar para fazer,
aquele instinto que vem do coração, alimenta a alma e te dá a certeza de estar
no caminho certo? Essa é sua jornada. É difícil mensurar a diferença que isso
faz - em nossas vidas e nas vidas dos que nos cercam -, mas não é por números
que sua jornada será contabilizada, mas de noites em que você colocou a cabeça
no travesseiro com o sentimento de dever diário cumprido, sem que aquilo fosse
um "fardo" em sua vida, mas o motivo de sua vida. Por menor que
pareça, a real jornada é o brilho no olho, a visita que não ficou por fazer, o
sorriso, o abraço, o amor, o braço estendido a quem passar pelo nosso caminho.
O ser em sua plenitude total, sem exceções, meios termos ou desculpas. É
conhecer o essencial, e vivê-lo.
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