sexta-feira, 28 de março de 2014

O sorriso

Sorriso. Está aí uma palavra que me agrada. Sorriso. Soa bem aos ouvidos e a alma. Experimente soletrar com a boca abrindo bem: SO-RRI-SO. Aposto que no "rri" você deu um sorriso lindo. E aposto que se deu, deve estar rindo de si mesmo por ter lembrado. Ele não passa despercebido. Contagia. É sinônimo de felicidade, amor, gratidão. Quando é sinônimo dos três, então, é inesquecível.

É obrigatório parar o carro na faixa para o pedestre atravessar. Mas ele atravessou, virou, me olhou e abriu um super sorriso, daqueles que iluminam dia, noite e causam inveja ao sol. A minha reação? acredite se quiser que à perdi naquela hora. Tudo o que conseguia pensar era naquele sorriso cheio de gratidão por algo que nem deve ser agradecido -não passa de nossa obrigação.  Isso já deve ter acontecido com você, tenho certeza, mas é fantástico lembrar, relembrar e re-relembrar essa expressão do bem em forma de uma atitude tão simples e iluminada, capaz de mudar e contagiar todo um ambiente, encher de energia e luz. E enchem mesmo, fui o resto do trajeto rindo, dando o melhor de minha face feliz aos transeuntes e motoristas passantes.

É muito conhecido o dito popular que diz "cada um dá aquilo que tem", e a crônica de hoje vai a esse simpático pedestre que deu o que, provavelmente, seja um espelho de sua alma,  retribuiu uma obrigação com um sorriso de felicidade, amor e gratidão. Vai à você, também, que usa esse mesmo sorriso para agradecer à vida toda manha, a comida toda refeição, ao sol, a chuva, ao ar e tantas outras infinitas felicidades e amenidades que possuímos. Sorrir para a vida e tantas "obrigações" que ela nos dá. Sorrisos -inclusive na faixa de pedestre-, eu apoio!

sexta-feira, 7 de março de 2014

A real jornada


O ser humano se difere dos demais seres vivos por ser "racional". Tão racionais somos que vivemos única e exclusivamente para raciocinar: a hora de acordar, a roupa à vestir, os compromissos diários, os afazeres, a hora para a alimentação, a hora para dormir. Tudo tão milimetricamente planejado ou tão automaticamente realizado que pouco de nossa energia sobra para a nossa real jornada. Isso mesmo, a real jornada. A missão de sua vida. O que você quer deixar quando sua energia já não estiver mais aqui, quando você não estiver mais aqui pra fazer.

Não, não está sobrando tempo. Pra visita que a tanto tempo prometemos, pra carta ou e-mail que ficamos de escrever, pro "oi, como você está?". Não está sobrando energia. Ou não estamos escolhendo as prioridades? A que, realmente, estamos dedicando nosso tempo? A deixar um legado de ensinamentos e amor ou estamos desperdiçando nosso tempo como um tronco seco sendo levado pela correnteza de um rio, sem destino?


Não está sobrando tempo pro auto-conhecimento. Qual sua missão nessa vida? O que te faz feliz? Quantas pessoas você fez feliz hoje, essa semana, no mês ou no ano? O que você não precisa raciocinar para fazer, aquele instinto que vem do coração, alimenta a alma e te dá a certeza de estar no caminho certo? Essa é sua jornada. É difícil mensurar a diferença que isso faz - em nossas vidas e nas vidas dos que nos cercam -, mas não é por números que sua jornada será contabilizada, mas de noites em que você colocou a cabeça no travesseiro com o sentimento de dever diário cumprido, sem que aquilo fosse um "fardo" em sua vida, mas o motivo de sua vida. Por menor que pareça, a real jornada é o brilho no olho, a visita que não ficou por fazer, o sorriso, o abraço, o amor, o braço estendido a quem passar pelo nosso caminho. O ser em sua plenitude total, sem exceções, meios termos ou desculpas. É conhecer o essencial, e vivê-lo.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Alfajor


Todo nome tem sua história. É incrível conhecer pessoas que se apresentam com: "meu nome é fulano, tenho esse nome por que..." e nos decifram uma parte de sua vida, dando a possibilidade de adentrarmos em sua história. Ou então pessoas cujo nome é tão peculiar que nos instigam a perguntar o motivo de tal nome. Eis o momento do conhecimento, apreciação por uma parte da história da pessoa que não esqueceremos jamais - e pelo qual não seremos esquecidos. O nome é parte fundamental, afinal seremos lembrados por ele. Pode claro, ser abdicado por um apelido, mas sempre volta à tona em um "assine aqui seu nome completo". E cada história é encantadora em seus por menores.

Alfajor. Doce popular na Argentina. Em seu formato tradicional duas massas com recheio de doce de leite. Gastronomicamente falando, um pedacinho do céu em mordidas. Mas aqui, Alfajor tem outra história. Sempre foi meu doce favorito. Era ouvir a sinfonia perfeita que seu pacotinho faz para que meus olhos estalassem e minha boca se enchesse d'água. Um dia, ainda criança, a decisão derradeira: "A ti, meu precioso Alfajor, dedicarei o nome de meu primeiro livro." A perspectiva de um desejo tão audacioso jamais me saiu da cabeça, assim como -para mim- o tão doce e majestoso nome.

O livro? Ainda não. Mas dedico àquela criança de 8 anos, que jamais imaginaria no que o seu mundo iria se transformar, esse blog intitulado Alfajor. Dedico a ela o nome e cada palavra aqui contida. E dedico, a cada leitor, um sorriso de gratidão. Que, assim como o alfajor nos traz felicidade com sua doçura, cada palavra aqui presente lhe traga mais amor e a certeza que sonhos de crianças - sonhados a qualquer idade - podem se transformar e virar realidade. Ouse sonhar, ouse dar nome aos sonhos, ouse dar nome a sua ousadia. Ouse contar a história de seu nome.
Um beijo doce de Alfajor e amor a todos.

segunda-feira, 3 de março de 2014

O melhor lugar que eu posso estar


Poderia ser Paris. Chile e suas belezas naturais. A cultura da Índia, a beleza da Espanha ou a gastronomia da Itália. Poderia ser Brasil, claro! Bahia e seu belo litoral - a que todos encanta e diminui o ritmo -, a comida de Minas ou a arquitetura de Brasília. Poderia ser qualquer um desses lugares, se estivéssemos falando de um lugar em geografia.

Mas não estamos. Estamos falando do melhor, da empatia, da felicidade. Do prazer e do amor. Você vai estar lendo e saberá que falo de você, porque o mundo inteiro cabe aqui, e cabe em um abraço, em sua companhia. Ao teu lado tem sido o melhor lugar que eu posso estar. Independente da geografia, da estação, da meteorologia. Independente da cultura, da beleza ou da gastronomia. Estar ao teu lado.

Poderia ser Paris - e com certeza será. Mas será em Paris ao lado de toda a energia do bem que nos cerca. Será no Chile, sem dúvidas. Será, está sendo e foi. E essa vai ser a conjugação que usaremos. E "ao teu lado" o combustível do bem que nos guiará, sempre o melhor lugar que podemos estar.

A menina do chimarrão


Mais do que sabido que nossas atitudes definem nossa pessoa. Não somos a soma do que falamos aos quatro ventos - como alguns muitas vezes esquecem e tanto praticam. Nem tão pouco somos nossos pensamentos - imaginar que porque "pensamos" determinadas coisas os outros nos definirão "nelas" é perca de tempo. Somos nossas atitudes! Sim, aquelas "automáticas" e não pensadas também nos definem.

Não diga ser bom, não pense ser a melhor pessoa do mundo - tome as atitudes para isso. Não pense que quer - trace planos para que isso aconteça. Vigiar os pensamentos mas, acima de tudo, vigiar as atitudes. As mais corriqueiras também, afinal dizia Aristóteles que "somos o que fazemos repetidas vezes, portanto a excelência não é um ato, mas um hábito."

Fui pega de surpresa ao ser chamada de "a menina do chimarrão". Não fui lembrada pela roupa, cabelo, carro que estava ou pelo nome - características que serviriam de descrição. Sou "a menina do chimarrão", algo que faço involuntariamente chamou a atenção e me definiu. Espero -de coração- que mais descrições assim sejam espalhadas pelo mundo, afinal o material passa, o corpo muda, mas as atitudes vem do coração e o coração, ah o coração, espero que só evolua.

Pessoas para fortalecer


É incrível o andar da vida. Pensar que 24 horas do mesmo dia muda tão rápido - hora é dia, hora é noite, hora vinga o sol e hora nos contempla a lua. Isso não nos assusta, já estamos acostumados. O que nos assusta -mesmo- é sermos pegos de surpresa por uma lua que nem avisou que viria - espera aí, era dia até 2 minutos atrás, o que essa escuridão toda está fazendo aqui? Somos nocauteados, pegos totalmente desprevenidos. Mas se no bom existe mau, também no mau reside o bom - caso não existisse a escuridão nunca seríamos capazes de ver as estrelas a brilhar.

A vida toda é um passar de 24 horas. Quando menos se espera somos tomados pela noite - só os bons de coração serão capazes de erguer a cabeça e ver que acima da escuridão existe uma lua e milhares de estrelas pra nos acompanhar. Hoje pude ouvir de ti que "a vida põem pessoas em nosso caminho pra nos fortalecer", e complemento com "gosto dos valentes, mas não basta ser um espadachim: também é preciso saber a quem ferir. E, muitas vezes, abster-se demonstra mais bravura, reservando-se para um inimigo mais digno (Nietzsche)"

É hora de desvendar a noite -
existe muita coisa além do dia. É hora de valorizar estrelas, apreciar a lua, sentir o cheiro do anoitecer. É hora de saber -também- que o dia vai voltar, e nem por isso as estrelas deixarão de existir, estarão lá apesar de não às vermos. Aproveitar, sentir, curtir - é hora de voltar a ser criança e ver tudo com novos olhos – olhos estes cuja existência nem sabíamos existir. Minha felicidade -hoje- é ver em teu olhar que tudo isso já está sendo cumprido.

( Texto escrito para um amigo "que brilha o existir" e estava na noite aguardando o dia clarear )

Ela que ama ela


Ela ama ela. Mas não só ela. Ama ela, seus defeitos e as paqueras dela. Não que "ame" as paqueras, mas a sensação de reconquistá-la das paqueras. Complicado? Vou lhe contar uma história:

Tudo começou quando a garçonete cansada do amor, incrédula na verdade do dia-a-dia, conheceu a colecionadora - de amores, de sonhos, de paixões. Um roteiro de filme francês. Ela, garçonete que fugia de tudo que começasse a esquentar o coração - já nem bebia mais chá quente - num olhar reconheceu na colecionadora uma dessas miniaturas de felicidade. Doce jeito de se destravar da vida.

Garçonete, que tinha uma canção singela pra cada amor desfeito, dessa vez compôs sua canção particular.

Todo dia escrevia a história: a colecionadora atrás de um final feliz, a garçonete amores platônicos - que a vida provaria serem sua especialidade.
Só pra distrair, se apaixonar, ela era linda demais pra garçonete fugir.

( Texto escrito para uma amiga que ama se apaixonar por "elas" )

A pessoa


O tempo passa e as coisas vão mudando em sua vida, você vai adquirindo algumas características, outros conceitos, outros rumos, outras histórias, até conhece outras pessoas. Tudo isso vai influenciando em sua forma de viver. 


Agora, a vida muda - mesmo - quando você conhece "a pessoa", a que tira o fôlego sem pedir nada em troca, faz o coração pular como se estivesse em uma "rave" e mostra que o sentimento é recíproco em um sorriso. Nada pedido, nada imposto nem nada implorado - está ali sem restrições e fim.
Aí, meu amigo, noite vira dia, horas juntos viram minutos e minutos separados viram horas. A percepção de tempo é totalmente distorcida. A eterna pane da paixão.
Você vai sorrir como criança em noite de Natal, vai achar graça quando começar a chover no meio do percurso e você se notar sem guarda-chuva. Vai rir de fatalidades, menosprezar ofensas e se deliciar com a alegria de viver. Como alguém pode estar triste num dia lindo como hoje?
Sua alegria é contagiante. Você atingirá um extremo emocional: você passa a ser do outro em tempo integral.

Aquela música de amor foi escrita para "vocês", o comercial lhe lembrará ele e o dia todo você pensará nela. A paixão não passa desapercebida.
A vida muda e o que você fará da mudança decidirá o futuro. Aos que escolhem o "vamos juntos" é chegada a hora de arregaçar as mangas e transformar essa paixão num amor - bem - duradouro

A resposta




Como uma mulher tão linda e simpática não tem namorado?

Toda mulher solteira ouve repetidas vezes esta pergunta ao longo da noite em uma festa, em uma saída a um barzinho ou mesmo ao conhecer novas pessoas em redes sociais. A resposta é a clichê de sempre: “Ora, ainda não encontrei a pessoa certa!”. A criadora desta resposta estava coberta de razão e simplificou muito nossa vida ao colocar na resposta um ponto final ao questionamento um tanto pertinente e indesejado. Ora, vamos nos colocar no lugar da entrevistada: quem gostaria de estar sendo questionado sobre o por quê de suas relações não terem vingado como o desejado? É um assunto um tanto complexo para o primeiro contato. Não encontrei a pessoa certa e fim, tudo o que queremos é que esse inconveniente assunto termine para que assuntos mais leves possam fluir, mas a pertinente pergunta vem me assolando em busca de uma resposta menos clichê a tempos.

Acredito que o amor não obedece a razão. Como diz a excelente Martha Medeiros no texto Crônica do Amor “ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta... o verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.” Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor? O amor não segue padrão, lógica ou matemática. Não responde a qualidades com reciprocidade, mas tem no indefinível sua raiz. Não faz jus a títulos, não se define em características. É formada, possui carro próprio, apartamento, saldo na conta bancária, simpatia para dar e vender, beleza e tantos atributos quanto um livro descrevendo a princesa encantada mas não faz seu coração bater mais forte, não instiga seu ciúmes nem o deixa hipnotizado com um sorriso. Simples, não existe conexão. Eis o amor nos mostrando que não se apega a matemática e não será facilmente interpretado.

Confesso que vou continuar respondendo a esta pertinente pergunta com a resposta clichê, não seria louca de sair filosofando em minha primeira conversa sobre o complexo paradoxo que é o amor, mas sigo com a certeza de que respostas desse cunho devem ser dadas com um olhar, sinais de que o questionamento não precisaria ter sido feito e que, mais hora menos hora, o tão sonhado magnetismo se fará presente a ponto de alterar a resposta para um pertinente "ainda não havia lhe conhecido”.