quarta-feira, 9 de julho de 2014

O mundo Paralelo


Encarar um ponto qualquer por um longo tempo não é novidade nenhuma para mim. Seguido me pego vagando por um mundo paralelo enquanto neste estou estática, olhando fixamente o, bem, olhando fixamente o nada. E assim eu fico, até alguém chamar. "Ei, está fazendo o que?" perguntam. Ou simplesmente interrompem com um "terra chamando", me tirando de uma transe profunda que é viajar sem sair do lugar. E olha que sonhar com esse mundo paralelo é mais do que bom...

No meu mundo paralelo todos retribuirão de coração o nosso bom dia, e emanarão energias positivas para que ele realmente o seja. Lá não haverá dinheiro, a moeda corrente será o amor pelo próximo e a ajuda mútua. Todos conhecerão o valor de ser luz e pulsar amor, e todos o farão. Claro, lá também haverá dificuldades, e elas nos ensinarão a sermos melhores, a ajudarmos mais e melhor, a cada dia. Lá todos saberão que nada se leva após partirmos dessa vida, que de nada adianta termos e não sermos e que caixão não tem gaveta. "Isso mesmo, você não levará nada a não ser o que fez de bom, o que dirão de sua pessoa" o mais velho ensinará ao mais novo. E o mais novo crescerá sabendo agradecer a vida que tem, a possibilidade de poder fazer parte deste mundo paralelo que tanto precisa dele. "Todos temos um dom que nasceu com a gente e com ele abraçamos o mundo e, de mãos unidas, fazemos o nosso melhor" os habitantes do meu mundo paralelo dizem, com orgulho, quando perguntados do valor do trabalho. Cada qual com seu bem, não por interesse mas por amor. Um tem o dom de cozinhar, outro de plantar, outro de tecer, outro de criar, outro ainda de fazer arte. "Fazes o que ama e nunca precisará trabalhar", diz Confúcio, e o pessoal do mundo paralelo tenho certeza que concorda. E lá todos fazem um mundo melhor. Ah, e como ele é lindo! Plantando o bem, regando o bem e colhendo o bem.

"-Ei, está fazendo o que?"
"Estava dando uma bandinha no mundo paralelo", digo, mesmo sabendo que minha vontade é simplesmente dizer que quero ficar por lá, onde moram os meus sonhos de um mundo melhor. Mas não posso, então resta-me fazer o melhor que posso por este mundo aqui, dar o melhor de mim aqui e agora. Madre Tereza de Calcutá dizia que "por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar, mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota". E é assim que volto do meu mundo paralelo para ser uma gotinha de amor nesse imenso mundo mar. 

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