quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Não espere pelo Epitáfio


( leia esse texto ouvindo Epitáfio )

Você vai morrer. Sim, inevitável. Deitado em um caixão com flores ao redor. Dói pensar assim, não é? Até a dor é uma forma de sabermos que estamos vivos, dirão. Mas não é sobre dor que quero falar, é sobre morte. Sobre a sua morte. Sim, você já pensou nela hoje? Se não pensou ainda, deveria, ora! Se ela nos encontrar hoje, o que teremos nós deixado?
 Quem estará presente realmente no sofrimento de nossa perda, como estamos tratando realmente as pessoas? Quantos sentirão nossa falta de coração? Façamos um exercício mental: estamos nós deitamos em nossa cama eterna, rodeados de flores e velas, e quem estará lá? Seus colegas de trabalho, como estará hoje sua relação com eles, será que lembrarão de uma pessoa boa ou ruim? E sua família, o que estará pensando, terá você dito a eles tudo que queria? Amigos, quantos verdadeiros? Quantas pessoas fizeram diferença em nossa vida, e quantas deixamos fazer? Quantas sentirão que fizemos diferença em suas cotidianas vidas? Cotidiano, como terá sido o nosso? Pense em todas as pessoas que passam em sua vida, que marcas terão de nós? Feche o olhos e visualize a cena de sua morte.

Não espere pelo Epitáfio é um livro maravilhoso do autor Mario Sergio Cortella, com esse título marcante que já faz a diferença começar por ali. Segundo o dicionário os epitáfios no passado procuravam narrar os atos heroicos do nobre, rei ou um membro proeminente da corte. Com o passar dos tempos começou a ser usado por toda população para lembrar as qualidades daquele ente querido que partiu deixando muita saudade. O que estará escrito no seu? O que estará escrito no epitáfio daquela pessoa que acabou de te magoar? Fará diferença para você o mau que ela praticou ou para ela mesma? Do epitáfio é inevitável fugir. Algumas palavras estão sendo escritas para seu epitáfio ainda não finalizado nesse exato momento.  Sim, você também vai morrer.

Ao assistir o filme "Até que a Sbórnia nos Separe", dos queridíssimos Hique Gomez e Nico Nicolaiewsky, este último já com seu tango finalizado e seu epitáfio concluído, e escutar a música intitulada Epitáfio que ambos interpretarão me pego pensando sobre meu próprio epitáfio. Sobre como não fará diferença para mim aquela pessoa que magoa afinal "devia ter aceitado as pessoas como elas são, cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração"Fará diferença o modo como hoje trato as pessoas. Se as amo ou apenas as uso. Fará diferença viver plenamente hoje. Ah, querido epitáfio, quero pensar em ti a cada passo que eu der, para dar valor ao que realmente amo a cada batida de meu coração. Não espere pelo Epitáfio, afinal viver é muito mais que o simples ato de respirar.