sexta-feira, 6 de junho de 2014

As flores de plástico não morrem


Viver é sentir, inevitavelmente. Passar ileso é impossível. Nasce-se chorando, o que se pode esperar do resto? Que vai ter riso, choro, amor, angústia, paz, plenitude, mas também o perder-se, o morrer. Tudo parte do pacote.

Em uma de suas fantásticas músicas o artista Nico Nicolaiewsky - muito conhecido pela trajetória do Tangos e Tragédias - diz o seguinte:
"Ser feliz é complicado
bem mais fácil é sofrer
e ficar parado
sem saber o que fazer"
Nico completaria hoje, dia 09 de junho, mais um aniversário. Mas faz parte do pacote partir. E viver é um mix de sentimentos complicados. Não somos plástico, então não dá simplesmente para ficar parado sem saber o que fazer, a não ser sofrer, como nos cantava Nico. 
É preciso tango, é inevitável a tragédia. 
Se tudo passa, resta pensar o que vai-se deixar. Nico nos deixou um legado de arte, ensinamentos, do viver a vida. Pra quem conhece seu legado artístico conto com um acenar positivo de cabeça. A quem não conhece conto com uma procura em forma de pesquisa a tudo que este ícone nos deixou. 

As flores de plástico não morrem, diz uma conhecida música do Titãs. Mas flores de plástico também não possuem a fina textura da vida, não deixam nada além de sua secura, não deixam perfumadas as mãos que as tocam. Falta-lhes sensibilidade, falta-lhes verdade. Vida. Aquela mesma do nascer chorando. Sentir é preciso para não se passar a vida como flores de plástico. É preciso passar por tudo que nos é incluso no pacote de viver. Permita-se desfrutar o sentir em sua plenitude, permita-se a vida delicada, perfumada e sentida ao invés de uma vida de plástico. Se tudo isso faz parte do pacote, permita-se deixar um -belo- legado.